sábado, 25 de dezembro de 2010

Restauranteando

É natural que o gestor de um restaurante não possa estar o tempo inteiro presente no estabelecimento, logo, tão importante quanto sua presença se faz necessário um equipe integrada e como se diz “que vista a camiseta”, para que os lucros não escoem pelo ralo e pela lata de lixo literalmente. Digo isso porque, por experiência própria sei que quando não há um cuidado pela parte da cozinha no manuseio, acondicionamento, armazenagem e aproveitamento dos alimentos, boa parte pode ser comprometida e colocada fora, no lixo, com isso, a conta da fruteira é cada dia mais exorbitante, a fatura do fornecedor só aumenta, e a cada dia é preciso comprar insumos que se acondicionados da forma correta durariam muito mais. Potes herméticos e plástico filme são grandes aliados na batalha contra o desperdício, não estou falando que é preciso reaproveitar todos os alimentos, mas em dias como os atuais, o desperdício além de custar caro ao bolso do empresário é também um pecado.

Lá em cima falei sobre equipes que vestem a camiseta justamente por isso, quem lida o tempo inteiro com os alimentos, é a equipe da cozinha e se essa trabalhar na base do “não é meu mesmo”, “põe esse fora e busca outra lata no deposito”, “não vale a pena guardar,amanhã a gente encomenda mais”...ai o rombo no final do mês é grande e ao final de um ano, muito dinheiro poderia ter sido economizado, como? Simples, fazendo um manuseio e aproveitamento responsável de tudo aquilo que não foi utilizado no dia, guardando-os embalados corretamente e livres de possíveis contaminações, tomando sempre o cuidado de que as borrachas das geladeiras e freezers estejam em boas condições pois do contrário, além de estar a mercê da proliferação de bactérias, gasta-se muito mais com energia elétrica, o que também nos dias atuais é algo abominável.

Dia desses ouvi uma observação sobre política no rádio, muito interessante, o entrevistado disse que iria votar na Marina para presidente e quando interpelado sobre a grande possibilidade de ela não vencer a eleição, foi logo dizendo:

--Sim, eu sei, no entanto, caso ela tenha um número razoável de votos, com base na plataforma quase que integralmente voltada para a questão ambiental, espera-se que nas próximas eleições, os candidatos criem campanhas também preocupadas com toda essa questão.

De fato, concordo com ele, e possivelmente votarei na Marina, com o mesmo intuito. Parece que fugi do contexto geral do assunto gastronomia, mas onde quero chegar é que todo gestor pode começar hoje mesmo a exercer uma gestão muito mais voltada para a economia de energia, água, papéis e obviamente alimentos, fazendo com que ao final de um ano a sobra de valores no banco seja realmente visível e impressionante. Alguns estabelecimentos que possuem algum espaço físico disponível, fora das instalações principais, já reciclam ou reúnem material reciclável para então, vender. Aí vai do proprietário, sei de um que cada quantidade “x” de latinhas que reúne e vende, compra algum eletrodoméstico e sorteia entre os colaboradores, outros promovem algum tipo de confraternização fora do horário de trabalho e outros locais também, há quem simplesmente venda e fique com o dinheiro, não me atrevo a opinar sobre o que deve ser feito com esse dinheiro, mas fica a idéia, lembrando que o ideal é firmar parceria com algum reciclador para que o material seja removido com bastante freqüência, eliminando assim possibilidades de mau cheiro ou mesmo se torne playground para animais contaminados.

A vanguarda restauranteira cada dia mais abre espaço para a criação de políticas ambientalmente corretas e voltadas para o bem estar dos colaboradores, muitas vezes não adianta ter pratos espetaculares, valores astronômicos e uma clientela AAA, se os colaboradores insatisfeitos vivem reclamando aos amigos em conversas de bar, pedem demissão a toda hora e por qualquer motivo, e no pior dos casos, sabotam o próprio trabalho, descontentes com a política de trabalho do estabelecimento. E ao meu ver, de nada adianta ser uma potencia gastronômica em determinada cidade e não estar nem um pouco engajado nas políticas de preservação ambiental, ou talvez em projetos sociais que possam vir agregar valor ao restaurante e aqueles que lá trabalham. É interessante que o cliente saiba que aquele restaurante preocupa-se com o aproveitamento da água, que não desperdiça alimentos, que mantém o mesmo quadro de empregados a certo tempo, e que sobretudo tem extremo cuidado com o manuseio dos alimentos que são servidos. Obviamente sei que uma equipe de A&B exige um trato exclusivo para cada membro, pois na maioria das vezes, as pessoas passam metade do seu dia ou mais dentro daquele ambiente, e estão suscetíveis a arroubos de irritação, grosseria ou descuido como qualquer ser humano submetido ao cansaço e a pressão, portanto, não é tão simples quanto escrever esse artigo, gerir uma equipe de garçons ou chefs de cozinha, é preciso preparo, dedicação, esforço e “antenas ligadas” para que não só o cliente, mas o colaborador saia satisfeito ao final de cada expediente, política de troca, o empregado oferece a empresa o que tem de melhor, visando não só o salário ao fim do mês, mas o respeito e porque não, a admiração de seu gerente ou supervisor imediato. Do outro lado, a empresa cria mecanismos que facilitem a comunicação, a acessibilidade e a operacionalização de cada setor do restaurante, facilitando assim, o desempenho de todos, e tendo como resultado a satisfação total do cliente desde o momento em que decide entrar no estabelecimento até o momento em que pede a conta.

Em próxima oportunidade, gostaria de explanar acerca das situações inusitadas e que podem minar o trabalho de um gerente, chef ou garçon.

Agradeço a atenção dispensada e até a próxima.



NATAL 2010

terça-feira, 26 de outubro de 2010

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mafra - SC

Bah, essa semana foi interessante, vou primeiro postar as fotos, e depois no decorrer conforme for lembrando das baianagens vou escrevendo, mas que foi comédia, isso foi...
As fotos são em Mafra-SC e Rio Negro- PR...




terça-feira, 14 de setembro de 2010

INTERPRETAÇÃO DAS ONDAS - PARTE I

DO ALTO DE UMA PEDRA
SENTADO
NEBLINADO
MARESIA
SURFISTAS AO LONGE
MARÉ SUBINDO
CONCLUO:

SE AS ONDAS FOSSEM CORDAS
QUE AS PEDRAS SEJAM DEDOS
DE TODA E QUALQUER ONDA
TE SOEM MIL SONETOS

sábado, 14 de agosto de 2010

Da Ótica das Coisas - Chapter Four



Saco, duas horas já e nada de interessante por aqui também, dizem que antigamente era diferente, tinha um monte de coisa pra ver e pra fazer e só um ou outro lugar era perigoso.Mas hoje em dia não é mais assim, pudera, fazem muitos e muitos anos mesmo que meus avós contavam essa estória.História do Antes, eles diziam...

Ai eu fico me perguntando, afinal de contas onde querem chegar, é, onde é que pretendem chegar e o que no final das contas ganham com isso tudo.No prézinho nos ensinam que depois de brincar, temos que guardar tudo no lugar, é até controverso, porque pelo pouco que tempo que vivem, deveriam aproveitar melhor essas coisas tão bacanas que tem pra se ver e se fazer, repito.

Antigamente, dizem que podia-se passar por todo lado sem ter algum receio com relação a explosões, incêndios, objetos estranhos e violentos se locomovendo pra lá e pra cá. Ri-se quando hoje tem óleo pra todo lado, porque naquela época, e que época, nada disso acontecia, isso sem falar das linhas, enormes, por todo lado, espalhadas, sei de muitos amigos e primos que não as viram. É foda. Olha é cada dia mais perigoso andar por esse mundo.

Agora hoje em dia, a gente não pode ir pra lá porque tem “bomba perdida”, não pode ir pra cá, porque tem vazamento, não sei onde, teste não sei do quê, acolá, linhas, linhas e linhas.

Hoje em dia a sente se sente preso, parece que com grades, e um monte de coisas esquisitas acontecendo por ai, e pena que não sei no que vai dar, porque todo dia mais e mais deixam brinquedos espalhados por ai, não vêem que assim vai entulhar tudo qualquer dia desses.

Bom, o fato é que ta cada dia mais perigoso andar por ai, é foda ser tartaruga marinha mesmo!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Série Suítes Temáticas – Da Tara de Alvenaria ( I )






- DISPONIVEL SOMENTE EM DIAS SEM CHUVA –



Nossa super suíte temática de “Banheiro em Obras” conta com inúmeros dispositivos que vão tornar sua tarde muito mais completa.



Na parte dianteira da cama em formato de “Pilha de Azulejos”, você encontra um painel onde constam todos os diferenciais de nossa Suite, algumas das opções disponíveis são :

• Som de furadeira ou martelo Dolby Surround com twitters orbitais no teto.

• Chuva de fumaça estilo “Saco de Cimento Estourado”.

• Odorizador integrado sabor “ Tinta Plástica Ultratóxica” ou “Thinner Erótico Alucinógeno”.

• Sincronizador Ferramental de Objetos Eróticos (Cinto de Utilidades).

• Revistas Encapadas Sobre Isolamento, Fio Terra em Banheiras, Reboco Clássico com Textura em Cores Pastéis

• Algemas estilo “Fio de Luz”

• Exclusivo Sistema de Andaime Erótico Bivolt

• Suporte Dinâmico de Cadeira Giratória em formato de Betoneira 150 Lts com motor elétrico

E muito mais!


O único no Brasil com banheira de hidromassagem no formato “Carrinho de Mão”!!

Com alças exclusivas antiderrapante!

Com fundo esfoliante estilo “Brita Fina”!







Aproveite e faça sua reserva, os primeiros 6 casais do mês concorrem a um final de semana com tudo incluído na Suite “Passat 78”!







NÃO PERCA!!!


*Devido as reclamações da vizinhança a respeito de nosso poderoso Sistema de Som de Reforma Integrado, a Suite está disponivel somente em horário comercial, de segunda a sexta-feira.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Da Ótica das Coisas - Chapter Three




-- Hum, tu tens visto como tá agitado do meu lado direito aqui, uns metros pra lá hoje ?

-- Sim, tem um tempo já, tu não tinhas visto?

--Sei lá, tava mais ocupado olhando o mar.

--Ah. Bom, mas tem um tempão, eu ate que não to muito preocupado porque ta longe, ainda ta começando e vai ser bem grande, acho até que o azulzinho do lado ali vai cair fora.

--Bah. É verdade, eu me lembro quando começaram aquele, a gente era novo, lembra?

--Arrã.

--Pena né, achava bonitinho.Achava legal aquela antenona laranja que tem em cima.

--É, mas no fim das contas, do jeito que vai, grande parte vai se danar.Porque todo dias o nível sobe e agora deram pra fazer uns bem pertinho.

--Tu sabes que esses dias eu tive alguma coisa tipo labirintite?Parecia que tava tremendo, e um barulho de alguma coisa assobiando.

--Não foi no dia que deu um ventão? Eu tô ligado no que tu sentiu, esses dias também me deu, acho que foi um dia a noite, mas não tanto de me incomodar.

--Pois então, tinham que dar um jeito de parar com essa função toda, a gente que ta aqui há mais tempo , tinham que explicar pra eles que assim vai ceder, e ai pronto, com o nível cada dia mais alto, vai acabar invadindo mesmo.Aí eu quero ver, carrões desfilando.Hum, quero mesmo.Esse carrões que ficam ali na beirada andando o dia todo, eu queria ver.

--Sem contar que eu fico com as paredes todas cinzas e cheias dessa fuligem de carro e moto, e só me lavam uma vez por ano, e no inverno ainda, é pra morrer de frio mesmo...Se bem que numa dessas era melhor a sujeira porque assim, começa a enfeiar tudo e quem sabe vão embora pra outro lugar.

--Mas tchê, não adianta.Acho que vai continuar porque ganha dinheiro com mexe com isso, lembra daquele pingente enorme que a gente tinha quando estavam nos fazendo? Incorporadora e construtora é o nome que tinha escrito, mas as vezes nem é daqui, isso que eu não entendo.Vendem os quadrados de terra, e daí estragam tudo bem aqui próximo do mar. Mas eu sei que nas salas todo dia passa na teve que uns outros caras ficam avisando e dizendo que tem que parar de tirar o verde, parar de tomar conta da borda, e não adianta parece.

--Eu ouvi num quarto do 3° andar esses dias pela manhã que todo dia derrubam uma parte da floresta pra colocar concreto aqui na cidade, e outra que dizem que uma tal Amazonia todo dia morre um pouco, coitada, acho que está em coma...É bonito lá um dia eu vi na sala de Tv do 401, tem bastante arvore e nenhum que tem eu e tu.Pena né também, podia ter um condomínio que fosse, eu ia querer ser lá.

--É, mas tem muito inseto, não gosto, sou metade de vidro.

--É verdade, mas o lugar é bonito, uma pena que ta enchendo de condomínios em outros lugares e enchendo de gente e de carro, e cada dia mais perto e cada dia ou chove mais ou chove menos, tu lembra aquele teu primo famosão de Nova Iorque que bateram nele ate o fim?

--Sim, sim, eu tive um sobrinho lá que mora na Europa também aconteceu a mesma coisa.

--É, eles mesmo fazem, ai os outros querem estragar porque eles brigam o tempo todo por terra e dinheiro, e ai quando conseguem, constroem, vendem e vão embora.E cada dia mais perto da beira.E nem aqueles coqueirinhos que tinha ali do lado esquerdo lá embaixo tem mais, agora é de estacionar carro.O pior disso tudo é que quem fica mais e mais sem ter onde segurar é a gente.

--Bom, que que vai se fazer, a gente uma hora também vai pro espaço porque nos fizeram uns poucos metros pra cá, e uma hora esse nível sobe mesmo e eu quero ver e eu odeio molhar os pés. Mas, pelo menos a gente se deu conta né? A gente viu que tem demais e pra todo lado e até o morro vai cair uma hora, não vai agüentar, e pensar que antes de eu ser feito aqui, era diferente, imagina. Mas tudo bem, vamos indo, vou dormir que acabou o Jô no 115.Boa noite, tomara que nenhum idiota hoje deixe o alarme do carro ligado metade da madrugada lá embaixo.

--Boa noite, vou tentar dormir e pensar no que vai ser com o tempo...Ah, se os prédios falassem...

Da Ótica das Coisas - Chapter Two









--Hum, tá fazendo o que aí?

--Tava pensando como que vai ser agora, tu sabe que eu gosto de morar perto do rio né?

--Sim, sim, meu irmão também tem uma casa lá, de frente pra cachoeira aquela logo ali abaixo ó.

--Huuum, um que tem um telhado todo enfeitadinho, a esquerda de umas arvores diferentes e altonas?

--Esse mesmo, ele é mais velho, foi construindo a casa dele aos poucos enquanto morava mais pra dentro da floresta, e agora ta ali já tem uns anos, ele só disse que é ruim no verão por causa dos mosquitos, mas afora isso, a vista é linda e tem água e comida perto né. Ele aprendeu a comer ervas e tal.

--Entendi. Seu irmão é doido.

--Até que parece, no entanto, ele é que diz que era tudo lindo por aqui sabe? Diz que era so conhecer lugares, ver coisas bacanas e claro, construir uma casa e depois até uma família e enfim. Só que no fim das contas ele reclama que é perigoso hoje em dia. Tem bala perdida e até balas “achadas”, sei lá, diz ele que é da nossa raça.

--É, nesse caso concordo contigo mesmo.

--Mas enfim, tu sabe que esses dias eu tava almoçando ali pela região do porto e tinha um rádio ligado e dizia que diminuíram a distancia mínima de preservação nas margens do rios.

--Hmmm, é foda hein?

--Arram. A situação não ta muito pro nosso lado. Porque sair de casa e não saber se ela vai estar lá quando a gente volta, é um saco. Quando não tentam nos pegar também, né; acho que vou me mudar pra uma reserva florestal, se ainda houverem algumas seguras.

--Pois eu também vou então. Gostei da idéia, se ela for bem cuidada mesmo, dá pra construir um chalé no meio do mato e só aproveitar e cuidar por ali mesmo.Sou bem parceiro da idéia.

--Podecre, vamos fundar uma republica de pássaros de saco cheio dessa porra de invasão no meio de uma reserva protegida, se ainda houver uma.Vamos...

Voam...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Da Ótica das Coisas - Chapter One






--Ei!!Cuidado onde joga isso!Essa merda queima, tu também sabes. E outra que depois fica por ai atirada, é um nojo mesmo, eu to aqui há muito tempo e agora que ta pior, imagina no carnaval.

--É eu to indignada mesmo, tempos atrás a gente podia pegar carona com o vento e ir pra lá e pra cá e conhecer uns lugares, salvar umas arvores de cair no barranco, essas coisas , era bem mais emocionantes.Agora não dá mais pra sair daqui, tem um muro lá e desse outro lado um monte de concreto, e aqueles 3 umbus mais pra lá que seguravam a gente nos dias de vento vocês já cortaram também.Pô, além de passar o dia pisando em cima, ainda ficam jogando coisas e até coisas acesas em qualquer lugar.Sem falar do gosto da água, é sim, eu fico perto da água e eu sei do que eu estou falando, ela tá com outro gosto, e também outras coisas perderam o gosto, quero dizer que agora ta muito monótono viver aqui, desde que começaram a construir e caminhar por aqui. Ah, e tem a estúpida idéia do trator com uns ferros atrás pra emparelhar aqui em cima, olha como estou bronzeada!Droga, e eu passava as tardes conversando com as gaivotas no canto da praia.Nem sei pra onde elas foram, tiveram que viajar as pressas, ir visitar um parente que havia caído num óleo, alguma coisa assim, não sei bem.Perdeu o gosto ver o nascer e o por do sol, quer dizer, não perdeu, mas não é a mesma coisa, tempo atrás, era só a gente e o Sol e o mar, agora não bastassem esses carros, ainda tem um monte de gente pisoteando e circulando e jogando coisas. Não é que me importe que caminhem, mas tem que cuidar pra não construir demais ou ficar passando com o carro, vários aqui já foram nas rodas dos carros e varridos por ai.Acho que deviam colocar tudo no lugar de novo, porque assim é que a gente estava aqui há um tempão e tava tudo certo, não tinha perigo de cair, de ser levado, de se afogar, nem nada, e nem tinha uns imbecis com o som do carro ligado a todo volume em cima da gente as 3 da manhã. Por isso o nascer do Sol ta diferente. Claro que tem dias que tem um luau aqui também, esses eu gosto, porque no fundo esse negocio todo é bonito, só não gosto é de carro, desses que pingam óleo também e dos que abusam do sossego da gente. Olha, tem umas amigas minhas que moram num outro lugar mais ao norte que não passam por isso, “ainda, ainda”, elas dizem, porque parece que venderam lá pra construir um hotel, uns tolos porque dá muito bem pra fazer alguma coisa mais longinho e quem estiver por lá caminha um pouquinho que é bom pra saúde e a gente ate gosta. Gosta quando passam os casais, de mãos, também como irmãos, assim como a gente fica todo dia, próximo, as vezes o vento nos leva aqui ou ali, e sempre estamos perto.Era bacana um tempo atrás, uns anos antes de erguerem o shopping, que as crianças jogavam e corriam a tarde toda, e eu nem me importava com a algazarra porque eu me divertia também, ia com elas pra lá e pra cá, depois eu me despedia ali perto de onde começa a cidade e voltava pra ver o por do Sol.Mas é isso né, vou aproveitar que começou a chover e descer um pouco mais pra perto da água porque hoje é dia de jogo e vem todo mundo pra cá se o Brasil ganhar, vai ser uma festa, tomara que não joguem bitucas e copos plásticos pra todo lado, depois fica tudo espalhado e eu nem consigo dormir com essa sujeira toda.Aliás detesto!!Hunf!Eu detesto ser areia de praia!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Eu Sugiro:


Dando sequencia as descobertas musicais...:

Onde as capas por si só já são uma obra...hehe.


Eek a Mouse - Na verdade, eu não tenho muito saco pra pesquisar a fundo sobre essas bandas, mas Eek A Mouse vale a pena baixar, no 4shared.com tem 4 albuns deles e é um reggae de fim de tarde assim, com uma acústica bem de garagem e um vocal abafado...eu gostei.




Hugh Mundell - Bah, segue a mesma linha do Eek, vocal abafado, batida roots classic.Bacana também, na verdade chega num ponto que são todos muito parecidos, as letras é que dão uma variada, mas também costumam falar de Jah, natureza, amor, racismo, essas coisas...vale a pena baixar também, no 4shared tem 5 albuns dele.



Jahcoustix - Sem sombra de dúvida, a descoberta do semestre, pena que só tem um album dele no 4shared e ao que parece, não tem outros disponiveis na internet, e no site oficial do camarada também nao tem grandes coisas, só agenda de show(e não vai ter nenhum aqui por perto nos proximos dias).Destaque para a musica Salam Alemkum, muito triii!!!E Afreeca e Special Place também são otimas.
Com certeza, vale a pena baixar.



Pablo Moses - Hehe, esse é otimo, reggera roots muito interessante...segue a linha dos dois primeiros, vocal abafado e tal tal tal, mas as letras são bem mais bacanas...
Apológico esse cidadão...mas tudo bem, no 4shared tem 4 albuns dele.



Don Carlos - Esse foi sugestão do Bruno na real, não conhecia o cidadão, mas é bom também, esse album é dele cantando com uns parceiros, mas tem um cd só dele no 4shared, Don Carlos, como disse, não me aprofundo muito na origem, data de nascimento, prato predileto, essas coisas, dos caras, mas é bacana também, na verdade todos os autores de reggae que baixei, ficaram no HD.
Por enquanto os eliminados foram bandas alemãs e francesas cujo estilo era uma bosta, mas tudo bem, tá valendo...




J.J. Milteau - Saindo do contexto do reggae, esse é o cara, conheci tem um ano e pouco, mas esse é o cara!!Francês, Jean Jacques Milteau, não só toca excepcionalmente (he's a harpman), como canta e faz duetos muito bacanas, no 4shared tem 3 albuns dele. Todos bons, e no youtube tem videos dele e tutoriais onde ensina de forma bem mastigadinha a tocar ou tentar tocar, gaita de boca...
Excelente artista...

sábado, 29 de maio de 2010

Eu Sugiro:

Dia desses comentei com o Panga que ia começar a separar uns albuns que eu achava bacana e sugerir aí, pois bem...:

10ft. Ganja Plant
Reggae bacana, tem umas músicas meio dub e outras com um baixo eletrico bem massa.Consegui 3 albuns desses camaradas, não é o reggae mais roots do mundo, mas vale a pena ter em casa pra escutar.
Tem no 4shared.com .




SOJA
Soldier of Jah Army
Exceleeente, bah, essa banda eu realmente curti.Em especial a música You and Me.
Encontrei 4 albúns deles, tem no 4shared.com .



Jamaica 69
Nem me dei ao trabalho de procurar de onde é essa banda, provavelmente mexicana, no decorrer vou atrás, mas enfim, é bacana, tem metais também, e são músicas com um toque de rumba no fundo, e metais.Aí o legal que as letras são mais "entendíveis" e falam praticamente só de amor e essas coisas...bem bacana...Ahnm o vocalista não é um primor eterno de afinação, mas ainda assim, recomendo...


Bah, enquanto isso vão baixando umas inéditas...tem uns reggaes muito interessantes da década de 70 e 80.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O TEMPO PASSA (Lembram do Bamerindus???)

Estava eu aqui agorinha mesmo, separando alguns e-books pra levar pra ela, e achei esse texto aqui numa pasta, bom, ele é mais antiguinho, sei que tenho ele postado no antigo blog meu do Bruno e da Lu, mas aqui acho que não, até que é bacaninha, tem uma crônica do LFV onde ele discorre sobre pai, filho e avó, conversando sobre futebol, e também é uma batalha tremenda porque ninguem se acerta, cada um lembra de um "beque"(zagueiro) ou um "arqueiro" (goleiro) diferente.Vale a pena ler também, aliás qualquer crônica do LFV vale a pena...



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De fato, eu estou ficando velho, e pior: desatualizado.Dia desses meu irmão mais novo resolveu que queria passar uma noite na minha casa, sem problemas.Levou o videogame, ai começam as diferenças, embora tenhamos 10 anos somente de diferença, eu já estou começando a ficar pra trás.Sei que numa dessas, tem um tal jogo em que você é um cara e tem que matar pessoas e roubar carros...


Como me faltou habilidade, ele mesmo foi conduzindo o boneco, colocando armas fantásticas, roubando carros maravilhosos, aquela coisa toda, então eu comecei com minhas solicitações:

--Rouba um motorhome pra mim;

--Moto o quê?

--Motorhome, aquele ônibus que faz de casa;

--Ahn.Não tem, pode ser uma Kombi?

Putz, uma Kombi, eu peço um ônibus-casa e ele me vem com essa, materializei a cena:”Eu, tendo 2 motorhome como trincheira,dentro da própria trincheira, 2 carros potentes aguardando minha fuga, armado ate os dentes,(e quem sabe dentro dos carros potentes duas loiras de macacão de formula 1 ultra-justos), atirava contra opressores e tiranos monárquicos do baixo oriente, confesso que arrisquei até umas balas num passante que me pareceu aquele individuo dos olhos juntos que faz de distinto pais americano seu próprio Lego, mas o FBI surgiu do nada e ...”

--Uma Kombi não serve, tem que ser maior...

--E um ônibus de excursão, que tu acha?

--Com passageiros?

--Pode ate ser, mas eu vou ter que catar alguns.

--E demora? Perguntei, vã estupidez, como se eu não soubesse que tudo é motivo pra ELE ficar com o controle na mão.

--Ahnnnn demora bastante, primeiro eu tenho que pegar eles nos pontos, ai cobrar a passag....

--Deixa pra lá.

Desisti da idéia da trincheira.

--Escuta, e pra ficar invencível?

--Aí perde a graça.(isso eu já sabia, mas é que morria rápido demais)

--Tá.

Me parei a pensar...de certa feita, era meu pai que dava suas “bolas fora” com a atual desatualização.Foi assim: voltei empolgadissimo da casa de um primo, pois la eu tinha escutado um cd fantástico, recheado de musicas legais, eu precisava daquele cd, muito embora não me lembre se eu já tinha tocador de cd na época, mas tudo bem, tem tanta coisa que hoje acumulo dentro e fora de casa que nem sei pra que serve;prossigo:

--Pai

--Quié?

--Me da o cd do Ríti ?(era HIT Parade o nome completo do disquinho)

--Ahn, vou ver,é, pode ser,huum, eu também gosto de umas musicas do Ríti.

--Ah é é, tipo qual?-Não tava entendendo mais nada, meu pai?Hit Parade?

--Umas aí, não sei o nome...aquela "la la la, o mundo é pequeno demais pra nós dois"...

Fiz uma cara de cachorro que lambeu graxa, do tipo,"ué, achei que era só stuntí stuntí esse cd"...

Demorei pra entender, mas ele estava se referindo ao Ritchie, aos mais jovens: é um cara que parece mais com o Prince do que o próprio Prince.

Tu vê, como são as coisas, tudo tão efêmero...ontem eu dava curva no meu pai, hoje meu irmão me da uma volta completa com esses joguinhos eletrônicos de matar policiais e cidadãos direitos.

E eu rio.

E cada vez mais, me conformo com o delicioso provincianismo encubado dentro dos mais velhos, e que no meu caso, se recusa a dobrar-se diante da era virtual, da era do “é de mentira”, dos tempos em que nada do que se faça ao vivo pode parecer melhor que um lindo poema recitado em “depoimentos” na tal pagina do Orkut, poema esse provavelmente roubado de Byron, Neruda, Drummond ou outro ilustre qualquer que tenha sido publicado e aparece em “1,1 s” no google.

Por isso, obviamente, que prefiro eu mesmo escrever meus devaneis críticos em geral, claro que com influências de bons escritores, mas como já falei em outro artigo, se te coisa que eu detesto é quando alguém lê o artigo depois pergunta:

--Bah,foi tu quem escreveu?

Nossa, me da vontade de mandar p'raquele lugar!

No máximo dos máximos uma citação muuuito valorosa pego emprestada, de preferência do Gabriel, Leminsky, Jô ou LFV, nada além.

Oras, nem numa coisinha dessas virtuaizinhas se pode ser você mesmo.Francamente Ctrl+ C e Ctrl+V é coisa de mirim.Escrevam você seu posicionamento diante das coisas...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Drop's - Que Não São Meus, Mas Me Agradam

Por isso hoje eu acordei

Com uma vontade danada de mandar flores ao delegado

De bater na porta do vizinho e desejar bom dia

De beijar o português da padaria

domingo, 28 de março de 2010

Sentenças Sensacionalistas




=)


 Tchê, eu fico embasbacado, e discuto até com minha mãe e bato boca via messenger com amigos e bato o pé e tô comigo e não abro, quando o assunto é Nardoni, Nardoni, Nardoni, Nardoni...mas que barbaridade.
Primeiro, preciso elucidar que: !!! (sim, isso mesmo, dois pontos, interrogação, ponto).O que significa?Bueno, quer dizer sim, que considero uma atrocidade, uma estupidez incomensurável o que essas pessoas fizeram, sou contra a subtração da vida humana, claro que sou, e lamento pela criança e lamento pela familia dela.Mas aconteceu.Vide 3° parágrafo.

Num segundo momento, sou contra a subtração de vidas humanas, não que eu ache que um estuprador é exatamente humano, tampouco um bandido desses que roubam relógios e geram paraplégicos, agora, existe uma linha muito tênue entre ser a favor da pena de morte simplesmente e entre acreditar que esse recurso, como sendo o último a ser recorrido, literalmente, possa sim inibir certos crimes hediondos que vêm acontecendo desde o inicio da sociedade moderna.
 
§Na Idade Média, pelo não pagamento dos tributos ao Reino, poderia-se ser esquartejado.E a I.Católica era conivente com isso.Vide 5° Paragráfo.

Assim sendo, lamento de verdade, que a mente humana seja usada, e não me interessa se em momento de descontrole, para arquitetar e forjar tamanha crueldade.Justiça seja feita sim. Embora o que me incomoda em si, é que o Brasil inteiro só falou do Caso Nardoni, durante uma semana, e teve gente que soltou foguetes em frente ao Tribunal, como se a condenação fosse motivo de comemoração.Não.Não vejo porque comemorar, é assim que as coisas devem ser, em nenhum momento houveram heróis, e sim, pessoas pagas pelo Estado e por conseguinte por nós, para executar a árdua tarefa de condenar bandidos. E digo árdua, porque nossa Constituição, sobretudo Códigos Penais, são irônicamente favoráveis àqueles que atentam contra nossas vidas, não posso discorrer se assim o são por desatualizados estarem ou por frívola que é a vida humana mesmo.Pois bem, o País todo envolvido num só caso, e as pessoas choraram, e foram 5,6,7 viaturas diariamente do presídio para o Tribunal e vice-versa, e dá-lhe dinheiro público e dá-lhe o que fazer ao Globocoptéro, SilvioSantosMóvel, SuperMegaReportagemInvestigativadaTeveRecord e um salve para a Redação da RedeTv, que divide-se entre gravar o Panico na Tv e palpitar sobre criminalistica. Parabéns Ana Maria Braga por deixar seus muffins queimarem enquanto opina sobre provas e reagentes a dna humano. Lindo o circo que armaram.Espero realmente que estejam satisfeitos com a dita condenação do Nardoni e Esposa. Onde quero chegar exatamente, e espero que tenha aguçado o suficiente o sentido sensorial imaginario de quem lê esse artigo, é: diariamente, dezenas de crianças são vítimas de todo tipo de violência no Brasil, levando ou não ao óbito, e no caso da segunda, arraigando desde agora nas suscetíveis e imaturas mentes delas, que o mundo não é lá grande coisa. E daí saem pessoas ótimas, mas também surgem desajustados, meliantes, imbecis violentos e afins. E não é que "o Poder Público" não fica sabendo, fica sim, e são tantos os casos e das formas mais aterradoras que puderem imaginar(Vide Relatório Azul-Garantias e Violações dos Direitos Humanos-Assembléia Legislativa RS mailto:%7BBccdh@al.rs.gov.br}) .

Lamentável isso.Lamentável que as pessoas soltem foguetes pelo Nardoni e não chorem pelo Beira-Mar, que promoveu muito mais infantícidios em vida atráves das drogas. O escárnio ao que parece só tem seu significado respeitado quando televisionado. A justiça é reta e os homens tortos, e a Justiça vem de C'ima e não cabe a mim julgar e condenar criaturas terrenas, nem aos que assistiram voluntariamente à prisão do dito casal. Cabe a nós sim, ensinar nossos filhos, de como a vida é perfeita e que devemos ter acima de tudo temência.
Por fim, a mesma emissora que lança padres cantores no meio da tarde de domingo, exibe ao cair na noite reportagens sobre insanos pregadores da fé que violentam crianças, pederastas. Comovente, mas no próximo domingo lá estão eles, com suas batinas 30 fios, hipocresia e democracia, entrelaçadas.Pois bem, gostaria de ver num futuro próximo um desses animadores dominicais perguntar ao que acaba de cantar seu playback manjado com letras de alento e proximidade com Deus:
--Como você vê a pederastia dentro da Igreja.
Ou melhor:
--O que merece um padre que transa com coroinhas?
E em seguida, começa o besteirol brother brasil, com suas peripécias de cunho sexual, coxas e bíceps a mostra, e em seguida o brasileiro vai dormir, pensando nos peitos que acabou de ver.


Domingo - Dia de Faustão - Dia de Filantropia no Gugu - Dia de Rebolation - E Dia de subestimar a inteligência daqueles que ainda sonham com um mundo mais esclarecido.Ou simplesmente esperam pacientemente que a revolução aconteça.
São 10:04 da manhã apenas e profiro palavras de desprezo por esse tipo de sensacionalismo.Mas dormi muito bem.Não entendi o porquê desse arroubo de rebeldia, embora há dias em que simplesmente a mente está agitada.Começo meu dia chutando tocos, pretendo finaliza-lo semeando touceiras de bambu.



terça-feira, 23 de março de 2010

A Singeleza das Coisas (Chapter One)


Me dá vontade de chorar:
*Quando tento levantar da cama sem mexer as pernas e apenas com um braço, e as vezes, sem tanta força assim, caio de volta no travesseiro, vencido pela dor ou pela inércia dos musculos.E algumas vezes, quando consigo na primeira vez ficar sentado na cama, fico tonto e com vontade de desmaiar, o mundo gira.
Frágil somos nós.
**Quando no percurso entre o quarto e a varanda levo uma eternidade, me arrastando entre o corredor, muletando pela sala, descendo o degrau da cozinha meticulosamente, suspendendo a perna ferida, a uma altura segura para não bater no degrau, quando há 17 dias atrás levava uns 15 segundos fazendo esse percurso.
**Eu morro de raiva quando quero me cobrir com o edredon e não consigo, porque com uma mão só é bem mais dificil, enfim a vida de uma pessoa com limitações motoras é muito mais dificil.
***Ódio mesmo, é tentar entrar no carro, é uma acrobacia sem fim, uma perna não mexe, o braço do mesmo lado imobilizado, se dobrar a perna dói, não pode bater, haja perna e braço direito pra aguentar essa função.
****É triste, definitivamente muito ruim, ficar assim, e lamento por mim, embora saiba que seja temporário, saiba que daqui uns dias estarei caminhando e fazendo praticamente tudo que fazia dias atrás.Futebol, bicicleta, academia, não sei quando será possivel, me darei por satisfeito provisoriamente quando puder simplesmente caminhar com cada pé sincronizadamente, um atrás do outro.Mancando que seja, mas me darei por satisfeito.
*****A lesão é simples, faltou musculo.Simples assim, onde existia musculatura, ficou um buraco, por isso a demora da recuperação e a ingrata dor ao suspender ou movimentar a coxa, os tecidos terão de se recompor, e isso, se levar em conta o tamanho do buraco, este que acondicionaria a base de um copo de uisque, bom, vai demorar um pouco ainda.
Aí, fico pensando, em como não damos a devida atenção a singeleza de nossos movimentos.É, isso mesmo, a gente acorda, respira, caminha,trabalha, se diverte, namora, briga, bebe, xinga, trabalha, respira, almoça, janta, vai ao banheiro, pega onibus, anda de moto, sai de bicicleta, dirige carro, mastiga, digita, sobe escadas, carrega sacolas do mercado, vai na esquina comprar cassetinho, comparece a casamentos, vai votar, caminha pelo shopping, chuta latinha vazia na rua, levanta a tampa da lixeira, folheia jornais, respira, mastiga, repete isso todos os dias, e até então, não tinha me dado conta de que também na singeleza, está a essência do existir.Sim, porque desculpem-me, fisiologicamente somos agua e tecido.Nada além.E o fato não precisarmos de bateria para funcionar já é algo digno de ser glorificado, independentemente de religião, devemos glorificar e agradecer por tal façanha.
Porque nesses dias eu ando pensando, ou melhor, me arrasto pensando: tem gente que troca objetos inanimados por pessoas, quero dizer, preferem objetos a bateria, pilha, combustivel de qualquer natureza ou simplesmente objetos, concretos, ceramicos, pétreos, vítreos, enfim, e isso, essa forma de "viajar" eu deixo a cargo de vocês, imaginem, imaginem, imaginem, quantas vezes pessoas são cambiadas por objetos, não importa o valor, jamais alguma coisa, objeto, item se equiparárá a um ser humano.
É bonito isso não é?!Pensa, somos um corpo,sangue e ossos do ponto de vista de um bombeiro que chega num local de acidente, mas esse mesmo bombeiro que corta suas roupas, briga com o transeunte que retirou seu capacete sem o colar cervical, é o cara que te trata da melhor e mais rápida maneira possivel, até te encaminhar para o hospital.Nobre muito nobre, a profissão de Bombeiros, porque é limite, o tempo é o limite e ele já estourou ali ó, quando você caiu.
E francamente, que forma estupida de morrer é o tal do acidente de transito.Definitivamente, é a forma mais grosseira de abreviar as coisas, simplesmente, porque quando você sai do Ponto A e pretende chegar no P, muito provavelmente tem um porquê, seja ver sua amada ou continuar enchendo a cara na casa do Betão que tá fazendo uma costela assada que é anormal de tão boa e a Skol tá gelada.Seja pra chegar em casa com chuva, dar um beijo na Sofia e abraçar a Carolina, enquanto a Andréia sai do banho com aquela camisola que você adora...vai ser boa a noite (Sofia e Carolina são as tuas filhas),OU, pense, podes estar saindo de casa indo trabalhar, dia de reunião importante, o supervisor regional está vindo e você está de olho naquela promoção, OU, simplesmente está indo buscar frutas, verduras e uns atuns enlatados no mercado...E de repente...acabou ali.Huuuuuuuum, já pensou?
A amada vai ficar ligando e com sorte, um bombeiro vai atender, a Sofia vai continuar assistindo a Era do Gelo 3, a Carol, tadinha, continuará montando aquele trabalhinho da 3ª série e a Andréia vai usar pela ultima vez aquela camisola.Aquela promoção vai para aquele seu colega mala sem alça que nem atingiu a meta do mês, mas é chegado do supervisor nacional. A costela do Betão será comida da mesma forma e a Skol vai acabar um dia, mas a Imbev fará outras 2000.000 de unidades e o presidente do Brasil não lembrará de ligar para sua familia no sétimo dia da sua partida, e  portanto, não se preocupe, não corra...e não beba se for dirigir.Mas vem cá, eu to falando sério, não beba a porcaria da cerveja se for dirigir, uisque e outras coisas então, nem pensar.Tô falando de destilados, porque nem me animo a escrever sobre drogas sintéticas ou quimicas aqui, usar essas coisas é o mesmo que usar crachá de otário.
Repito, se cuida.Porque tem um monte de gente que gosta de você...e não vai ser legal deixar esse tanto de coisa por fazer...não mesmo...









sábado, 13 de março de 2010

Frederico de Curitiba

Uma vez, quando trabalhava na portaria de um bar em Arica, além é claro de ver zilhões de coisas anormais, tive o prazer de presenciar uma cena muito absurda:

Essa noite teremos um músico, direto de Curitiba para O Barrabás!Frederico, pode entrar!

Ai entra um camarada comprido com uma calça menor que ele, com uns suspensorios frouxos, uma botina Zebu desgastada parecendo que ele atravessou o Atacama a pé, com um óculos de casco de tartaruga, mas que não eram fundos de garrafa pelo menos, só engordurados, mas de lentes finas.Bom, o Frederico, trazia consigo um mini esquife, onde provavelmente ele guardava o violão e os livros de Alquimia dele...

E eu lá, recebendo os convites das pessoas, e abrindo aquela mega porta de castelo que o Barrabás tinha,e pensando comigo:
"Bom, das duas uma, ou ele é muito bom, ou eu espero que ninguem me bata por cobrar esse ingresso pra assistir esse esquisito tocar...".
O Barrabás era, sem duvida, o lugar mais adequado para o Frederico tocar, tinha do lado esquerdo um bar com um toldo enorme em cima, embora fosse um ambiente fechado, tinha um toldo, decerto para as aranhas e moscas mortas não cairem na cabeça dos barmans.No fundo, um telão branco onde geralmente exibiam os piores clipes das melhores bandas, mas até ai tudo bem, ninguem olhava pro telão mesmo, era uma especie de telão mosaico...do lado direito, os banheiros, mas era facil saber que eram lá, bem fácil, super fácil, ao entrar no Barrabás já se podia ter uma noção de onde eram os banheiros.Ao lado tinha uma escada que dava para o mezanino, e onde geralmente ficavam os renegados(as), era lógico, porque uma vez na escada, a multidão te empurrava, para cima ou para baixo, ai era um prato cheio para os mais cabulosos do ambiente poder ter o momento flerte.
Bueno, sei que o Frederico colocou o banquinho no pequeno palco abaixo do telão, tirou um dos lados do suspensório, acho que para não arranhar o violão e mandou:
--"Buenas Noitchês, muito obrigado, agora vamos cantar uma musica muito famosa no Brasil...e....bom é isso ai obrigado e vamos lá."
Começou a cantar Você, do Tim Maia.Sofregamente, ele dizia...



"Nem sei porque voce se foi..."



Eu sabia...porque quem quer que fosse tinha ido...e levado consigo suas taças e objetos de vidro junto, obviamente, para que não se quebrassem com a estridência do Frederico.
3 minutos depois, ele pára, sem nem arranjo de finalização nem nada...

Deu um suspiro, puxou o suspensório pra cima do ombro esquerdo, tomou um gole de piscola e mandou:

--"Buenas noitchês, muito obrigado, é um prazer estar aqui...e é isso, ahn, muito obrigado, agora vamos tocar uma musica tambem muito conhecida no Brasil, ahn, é é isso, e muito obrigado e vamos lá."

Foi nesse momento que eu temi pela vida dele, exatamente quando ele bateu o primeiro acorde e disse:

-"Vou pedir pra você voltar, vou pedir..."

Achei bom que tinham outros brasileiros juntos e alguem gritou:
"Nem fudeeeeendôôÔÔÔ...."Eu entendi, que ninguem voltaria, dificilmente, aliás se encontrassem alguem na contramão iam alertar para não voltar também...e foi nesse momento, al revés de alguns que já saiam emputecidos daquele trem fantasma sem trem, chegaram duas meninas, uma loira e uma morena, brasileiras, bem vestidas, cheirosas e simpáticas:
--Hola.
--Hola.
--Como esta ahy?
--Tá bacana gurias, vamos falar um portuguezinho porque eu já to de saco cheio hoje de cumprimentos castellanos.
--Ahhhn legal, quem tá tocando ai hoje?
--Um cara aí, de Curita, chama Frederico, bom, bom músico.
--Sério?
--Ô.
--Ai que bom que tu gostou, ele é meu irmão.
(Pensei putz, tão bonitinha e irmã do retardado).
--Pois é, taí tocando a galera tá curtindo(pensei em comentar da evasão massiva, das garrafadas no palco, do vômito no banheiro, mas preferi poupa-la)
Entraram no Barrabás, a outra parecia mas não era, brasileira.Canadense isso sim, ela sim é que era feliz, não tava entendendo porra nenhuma.
Ouvi lá de dentro:
--Buenas noitchês, muito obrigado, vamos fazer um breve intervalo, e daqui a pouco voltamos...e muito obrigado.
Eu pensei:"é, tens mais que agradecer mesmo, a eles e a Deus, por não te prenderem por atentado."
Alguns minutos depois, eu já tinha saído da porta, um pouco antes fechou o mau tempo com uns motoqueiros e um pessoal de um bar da esquina, parece que um individuo foi mijar na calçada e acertou os raios de uma moto, aí começou a animação clássica frente ao Barrabás, adorava quando os bêbados da Botellaria Rámon começavam a infernizar os super seletos(pausa pra rir) frequentadores do meu bar.Não vou negar que era bonito de ver os maríachis quebrando violões na cabeça dos skins, os emos chutando os cachorros sarnentos dos pescadores, os pescadores cuspindo nos góticos, os góticos mijando nas gôndolas de Pisco 33° da entrada da botellaria, os emos abraçados chorando, os punks derrubando as motos dos skins, era um versão adulta do Beto Carreiro World, pra mim.

Voltei pra dentro do bar tomando uma dose de J.Daniels, parei no canto da escada, e esperei o "show" começar, literalmente era um show.De horrores.
--Buenas Noitchês, agora vamos tocar uma musica....
Aquela coisa toda e de repente, sem dar tempo do último gole, começou:

--Nem sei porque você se foi...ô mana...beleza?!...quantas saudades eu senti...trouxe meus remédios lá do hotel...e de tristeza...
Eu vou viver, se esse retardado não parar de conversar com a irmã e tocar e cantar ao mesmo tempo.Claro que todos percebemos que não se tratava de um mau músico, e sim de uma patologia, e claro que todos aplaudimos e pedimos bis, afinal, de louco todo mundo tem um pouco, e era injusto deixar que só ele externasse a loucura.

Cantarolou mais umas duas, do Tim Maia também, conversou fiado com as paredes, ficou olhando pro telão atrás dele, meio virado, com os suspensórios caindo, conversou mais um pouco com a irmã pelo microfone, pediu outro piscola, riu sozinho olhando pro toldo em cima do bar, fitou com uma paciência budista os móveis imóveis do mezanino, levantou e alongou as pernas, prendeu os suspensórios, desplugou o violão, desligou a caixa, guardou o violão no esquife entre os livros e uma fênix de pedra sabão e finalmente disse:
--Buenas noitchês, muito obrigado, foi um prazer estar aqui e tocar pra vocês.
Foi aí que eu e o vigia do Bar nos olhamos e esperamos ele sair com a irmã e a canadense para então passarmos a corrente na porta do castelo e irmos pra casa.Era o que faltava.











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Agradeço ao Bocão, por ter me contado essa história de uma maneira muito mais cômica, fazendo-me dobrar de rir entre a máquina de gelo e a copa do Guaruçá.Excelente...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Eu quero...

Ssshhhnnn'N



Eu quero.


Shimbalaiê.

Eu quero entender os sinais.

Nega

Eu quero voltar segundos atrás

Shimbalaiê

Quero escrever pra montanhas e escalar pra pessoas

Eu quero um dengo, um cheiro, um do nada assim

Te quero com ou sem tempo de qualquer jeito

na chuva

imovel

com sorte

com tempo

Uma noite

Meia

Eu quero com gosto

Ouvir essa musica

Sentindo teu rosto

Varanda noite adentro

E nem me importa se a lua

Já esvanece

Eu quero mais tempo

Eu quero mais vento

Pra dissipar essa nuvem

Que tem cheiro de sal

E gosto de ferrugem

E a proposito

Eu nao quero aquela praça.

Nem quero uma com graça.

E se nao cre, desfaça

Que que vai se fazer.

Por vezes, me amassa.

E eu vou me indo

Porque isso me acaba.

E sem fim nem pé nem cabeça

Deixo por assim assar

Areia da duna*

Que faça o tempo passar




*Que interessante.




(Canela 18/2/2010)(*)


O Galho (Semana Um)

(galho, 2 metros mais ou menos de altura do chão do bosque)(bosque umido)(neblina, pouca)(cheiro de algo entre trufa e mofo)(no ar)(raios de sol por entre copas)(silencio)
--É muito estranho, muito estranho.É como se nada até agora tivesse a devida importancia que tinha.Sabe?Tu sabes.Tu imaginas um monte de coisas, fica sentado ali divagando sobre os sins e os nãos...
--Ok, mas eu ainda nao entendi porque que tu estas aqui.Isso que eu tenho todo tempo do mundo pra saber.
--Essa coisa de como estou aqui é meio absurda, eu nem gosto de lembrar mas vou te contar:


(eu preciso ir dormir, sigo amanha antes que fique uma bosta)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Zé Otávio e Jaqueline (A Praia do Gi)

Shhhh'N




--Bah, mas que beleza!!!
--Gostou mesmo?Então põe...
--Mas tirar o que tu acabou de botar?
--Arram...pode por...eu gosto.
--Beleza então...
Ele de joelhos sobre uma almofada redonda azul de veludo surrado, ela atirada de pernas pro lado numa poltrona com pés Luis XV e estofamento capitonê de napa marrom.Silêncio.
Sons no fundo, bateria,guitarra ratátá e então Eddie :"Freezin', rests his head on a pillow made of concrete, again..."
--É a melhor música do Pearl Jam!-
--É, adoro esse cd, pode deixar aí...
--Arram.
--Vem cá, deita aqui, deixa eu te fazer um cafuné...
--Arram.

Cai a noite, Vedder descansa quietinho na gaveta e dormem ambos no carpete da sala de teve-cozinha-closed.Felizes.Ou pelo menos contentes.
O gosto pela musica definitivamente tinha feito toda a diferença para o bom funcionamento da relação de Zé Otavio e Jaqueline.Não bastassem as diferenças de perfil, moravam longe um do outro.Jaqueline morava em Osório com os pais e o irmão, num bairro longe da rodoviaria, como se nao bastasse.Isso pro caso do Zé querer fazer uma surpresa, já deveria contar com o gasto de taxi.De toda forma, era mais facil Jaqueline ir para Taquara.
Formavam um casal simpatico, estavam juntos havia mais de 6 meses, se chamavam por apelidinhos carinhosos, mas nunca mantiveram um só, sempre um misto de criatividade:"tuxo e tuxa", "dengo e denguinho","coração e benzinho", essas coisas todas...
Com o tempo foram ficando mais proximos por conta das indiadas em que se metiam, e não foram poucas.Quando o Zé Otávio tatuou uma caloi 10 na canela porque tinha vendido a dele para ir pra praia trabalhar numa pizzaria com mais dois amigos, a Jaque foi contra.Contra a venda da Caloi 10 e contra a ida dele com mais dois, imagina,2, amigos pra praia.Não teve jeito, nem os pais dela conseguiram convencer do contrario, acabou indo junto pra Praia do Gi.
Embarcaram todos os 4 no carro de um dos amigos e foram pela Free-Way escutando em k-7 uma coletanea de James Brow.Jaqueline foi na frente, ficava enjoada de andar atrás
--Ainda mais essa merda rebaixada pô.--Reclamava com a cabeça na ventarola.
O amigo motorista era Allan, embora ninguem o chamasse assim, nem o pai.
--Órso, muitcho prazer(z com com de c)--dizia ele num castelhano irremediavel, trazido de Cordoba.Urso era o mais católico da turma, ligava pra mãe e fazia o sinal da cruz em frente a cemiterios.Sujeito calmo, sem grandes ambições além de ir a Aparecida, trabalhar, ter uma familia, e se sobrasse, talvez o Vaticano.Vinha do interior da cidade e trazia aquele ar calmo e parcimônio dos camponeses dispondo-se sempre a ajudar no que fosse possivel.
Pararam pra comprar bergamota fincada num pau.
Faltava ainda um terço do caminho e Urso achou que o carro devia descansar, pararam num posto e Jaqueline inventou que queria comer um pamonha, aliás até agora só quem tinha comido era ela.
--Gente, eu fico ansiosa-- alegava
--Tá Jaque, mas depois tu fica enjoada.
--Eu sei Zé, mas eu fico nervosa, então me dá um cigarro.
--Negativo, tu já gastou uma grana em Niquitin, agora segura tua onda que tá passando a vontade...olha a pamonha...
O bar do posto não era propriamente daqueles que tem foto do fiscal sanitarista numa moldura na parede, e bastou Jaque conhecer ao vivo e a cores o tal "rolimops" que a vontade de comer pamonha passou, tudo passou na verdade, inclusive o Valdir passou mal, depois de comer uma linguiça frita com maionese não-de-sache na lancheria dos rolimops.

Em tempo, "rolimops" são peixes pequenos(que eu nao lembro o nome) espetados limpos e crus em uma vareta igual as de churrasquinho e que são imersas em vinagre, agua e sal, pickles de peixe, em miudos.E Valdir é o ser sinistro que estava sentado do lado do Zé, no carro durante toda a viagem.Rapazinho dos seus 1,95m, de bom coração, mas reconhecida e aceitadamente esquisito, talvez fosse o tamanho.Mas no fim das contas um bom sujeito, mas vomitou nos pés do Zé, e quase escorreu pro banco de Jaque.
--Aiiiiim Zé... que nojo!!!
--Calma Jaque, calma, não olha pra baixo
--Ei Xaque, levanta tu sandaliña, levanta levanta-dizia o Urso enquanto dirigia e ria discretamente da situação.
--Zé, diz pra ele párar esse carro, aiiiii, tá escorrendo ZéééÉÉ!!!
Pararam numa barraquinha de tarrafas e cestas de indios.Enquanto Zé acudia Jaque, Valdir fumava compulsivamente enquanto taomava uma agua tonica morna e ainda rindo de Urso que tinha apertado os dedos no capô do carro.
--Vá a merda Valdir, se no soy eu para olhar esse carro, tamos fudidos--Valdir ria.
Meia hora depois, todos recuperados, até o carpete, foram embora, e já tinha gente querendo fazer o retorno na rodovia.
--Mas agora tá pertinho--Zé, conciliador como sempre.
--Arrã, eu tô louca de vontade de ir no banheiro,Zé.
--Péra Jaque, falta pouquinho.
--(suspiro e bico).
Já faziam alguns minutos que James Brow tinha parado de tocar no rádio analogico do carro, buscavam atentos os nomes das ruas.Anoiteceu.Urso tinha trazido uma fita que entoava entre o metalico e o grave da bateria:


"Restless soul, enjoy your youth
Like Muhammad hits the truth"
Adoravam Pearl Jam
Chegaram na pizzaria.Combinados os pormenores entre Zé e o Urso, foram pra tal casa.
--Ela era graciosa, em 1817-- disse o Valdir.
Ficaram tão estarrecidos, não pelo comentário, mas pelo fato de que ele abrira a boca que nem deram muita importância a aparencia do chalé praiano em que foram se enfiar.E nem deram importancia pro chuveiro frio, nem pros talheres desparceirados e nem pras lampadas queimadas.
--Ah não Zé!Perereca no banheiro não dá.Banho frio ainda tudo bem, mas esses bichos não,não vou tomar banho com elas me olhando.
--Benzinho, elas não fazem nada.
--E se pula, aiiii ZééÉÉ.
--Tá Jaqueline.Saí daí que eu vou tirar elas.Sério.
--Tá, joga elas lá fora tá?!Aiim Coração, cuidadinho pra não machucar ela!
Medo de insetos, anfibios, quadrupedes e sacis, ela era assim.Que gracinha, ele dizia.Mas Jaqueline era emotiva, não gostava que maltratassem os animais, só aranhas, essas sim.Dizia:
--Coração, se tu vais no mercado, traz um requeijão, uma cartela de activia e 2 SBP's.
No outro dia, souberam que o movimento ainda ia demorar e que enquanto isso, eles teriam que receber um pouco menos do que o combinado até lá, iam ter que ajudar em umas "pequenas reformas" e tomar conta dos cachorros que moravam no pátio dos fundos.
--E cuidem pra não fazer muito barulho a noite porque a vizinhança ali é bem sossegada e costuma reclamar de barulho.
Urso olhou pra Jaque que olhou pra Zé que olhou pra Valdir que então, olhou pro sujeito dono da pizzaria e indagou:
--Que tipo de barulho?
--Ah, tipo ligar o carro depois das 11, por ai, cozinhar, ficar batendo papo na frente da casa, essas coisas...
No caminho pra casa, Valdir resmungou:
--Não tenho carro mesmo.Mas não cozinhar de noite é o fim!
Nas duas semanas que se passaram desde então, o chuveiro continuava frio, Jaque não falhou o SBP e o Activia nem um dia, Zé continuou tomando cervejinha "depois do expediente", Urso continou desfilando de carro pela beira-mar enquanto Valdir dormia e comia miojo, ás 3:17 da manhã religiosamente.E o dinheiro foi-se escoando, e o dinheiro não veio como o combinado.
--Pois é gente, tá meio complicado, a prefeitura tá meio que complicando, e é, tá complicado, eu até vou dispensar vocês ai, porque não to confiante que consigo abrir antes da temporada.
Dois dias pro acerto e ficaram em casa pensando em o que fazer quando voltassem pra casa.
--Fudeu Urso, tô so com 3 fardinhos de miojo e um pouco de dinheiro no banco, e eu ainda tenho que mandar dinheiro pro meu tio pra ele pagar a cerca da minha vizinha que ela disse que o Bruce destruiu.Vê se pode?! -- Bruce era o dogue alemão retardado do Valdir, embora eles desconfiassem que era o Bruce na verdade que tirava o lixo e varria a casa deles e não era de admirar que dissessem que ele destruiu uma pet-shop ou comido umas aposentadas de bengala por ai.
--Olha Valdir, tu não pensa que eu tô nadando em dinheiro, fui olhar hoje e tô só com o dinheiro que meu irmão me deu pra mandar um sundboard pra ele.
--Beleza, pelo menos dá pra comprar umas vodkas hoje ainda.
--Tá louco Valdir!
--Ai Ursooo.Onde é que tem duna na tua casa, Urso?!Depois tu devolve o dinheiro pro teu irmão, vamos comprar umas conchas diferentes pra levar, uns polenguinhos, tá, ir comer no centro!
--Jaque, que que tu fumou?Não vai rolar.(*)Bom,Se, mas só se, eu gastar esse dinheiro, eu quero não pagar a minha parte no combustivel de ida e volta que tu passou no teu cartão .
--Beleza Allan!Zé, quanto vai dar será o combustivel todo?
--Mais que um sundboard, Benzinho.
Compraram massa de pastel, 1 duzia duzia de cervejas, rum, energetico e coca-cola ao invés do sundboard.
--Coraçãããum...me dá um beijoooow?
--Jaque, eu to olhando ele pesar a carne moida.
--Tá.Me dá um beijoooow?
--Péra Jaque...
--1330 tá bom chefe?
--Não não, tira um pouco, umas 800 só.
--Zé Otávio.Tu não é mais como antigamente, prefere ficar ai com essa coisa de pai no domingo de manhã, comprando o churrasco do meio dia do que me dar um beijo.
--Benzinho, vamos ver onde tem pastelina?
Foi assim: o Urso dividiu o dinheiro em partes iguais pra todos, alguns entraram no racha do pastel e da coca-con-run-on-redbull.Ou melhor, só Valdir preferiu comprar Campo Largo Branco Suave e...miojo.
Apesar das diferenças de cardapio, comeram todos juntos aquela noite e se recolheram tambem com pouca diferença de tempo, pretendia-se acordar cedo e pegar a estrada...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Parte 2 da Primeira Parte da Segunda Fase

Em Balneário Camboriu...como já disse não tinha grandes compromissos, portanto, ia para alguma praia ou quiosque e ficava vendo a vida passar, conheci muita gente, cada um com seus anseios, desejos, medos, e o interessante é que sempre tem gente disposta a conversar sobre isso, sobre os seus, os meus e os teus...
Aliás nessa epoca eu andava com poucos medos e desejos, mais anseios mesmo...Hum, vamos ver, conheci o Cidão, gari gente boa que morava na quitinete embaixo da minha, um cara gente boa mesmo, um dia eu ia passando pela Atlantica, reconheci ele e cumprimentei por dentro do capacete:"Aêê Cidãooouuooo"...Bueno, naquela mesma noite eu chegava em casa bem além, e ele tirando os sacos de latinha que trazia na bicicleta(a saber, depois do expediente ele saia a catar latinhas pra fazer um extrinha...), ai ele me olhou e falou:
--Valeu gaucho, valeu mesmo!
E eu sem entender nada:
--Valeu o que Cidão, qual que é?
--Olha, não é todo mundo que me cumprimenta quando eu to de uniforme...- ele me veio com essa.
Bom, nao vou ficar discorrendo sobre o caso, mas pra tu ver como tem gente estupida ainda, preconceito pra cima de gari?Puta merda, é o cara que limpa a calçada da tua casa...francamente...
Um dia resgatamos um cadáver de boto da agua, lá na Brava...fedor punk mesmo...
Um barzinho muito bacana chamado Uai, em Balneario, antes da 1700...vale a pena conhecer tambem...Um outro, chamado Sushi Bar na Barra Sul, muito bacana e a equipe é show de bola, tive a sorte de entrar a madrugada tomando a tal Bohemia Weiss com eles, gente boas mesmo...É antes do Quiosque 50, bem na pontinha do canal do rio.
Bom, continuo outro dia,vou dormir...

Parte 1 da Primeira Parte da Primeira Fase

Sem grandes emoçoes...em construção...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Parte 1 da Primeira Parte da Segunda Fase

Bom, uma vez em Balneário Camboriu, tudo estava lindo, mas confesso que estava um pouco preocupado porque bem ou mal em algum momento meu dinheiro ia acabar e aí eu tinha 2 opções: voltar pra casa ou voltar pra casa.


Bueno, na Av. Brasil, proximo do Paris Club tem uma banca de jornal, lá eu comprei um jornal chamado Bolsão (de empregos).


Beleza, cheguei na quitinete que havia alugado por 10 dias, e essa quitinete vale um parágráfo só pra ela, na rua Alagoas,338, tinha televisão mas não funcionava, tinha fogão e botijão mas não tinha gás, tinha lampada no banheiro mas estava queimada, agora justiça seja feita, a geladeira era uma beleza...De toda forma eu não estava para ficar em casa assistindo televisão ou tomando banho com holofotes.Sem contar que o lugar era quente, muito quente e...Valdir, me desculpe, feio, o lugar era feio, mas me acolheu bem, ao meio dia faziamos um almoço coletivo, eu, Valdir,Cidão, Seu Alemão, seu Luis e cia limitada, os aposentados e o gari que moravam no prédiozinho, e o Valdir era o dono de tudo, porto-alegrense por sinal...fui muito bem acolhido, obrigado.


Bueno, meus dias se repartiam em acordar, tomar café da padaria da esquina, cumprimentar a legião de travestis que moravam na casa em frente, escutar uma ou outra piadinha de gaucho do dono da mecanica em frente a casa dos travestis, ficar sentado olhando pras paredes e coisas do tipo...Aí tive a brilhante ideia de comprar uma prancha, minha primeira prancha, uma 6,2 toda malhada, mas malhada mesmo...e ai inventei de ir pra Praia Brava "aprender" a surfar...bom, obvio que não consegui nada alem de boiar deitado na prancha e achava engraçado que ao voltar pra casa toda vez que me abaixava, pingava agua do nariz, das orelhas, dos olhos, e todo buraco que tinha na cabeça vertia agua...montei uma fazendinha de tanta vaca que levei...mas me diverti...


Nessa epoca conheci o Fábio, mineiro de Araxá que morou em Canela por 5 anos, namorou uma amiga minha e eu não conhecia o cidadão, e foi de grande valia, mas muito grande mesmo, a parceria e a amizade dele, até pelos gostos em comum, pois ele tem uma XTZ e era bacana dar bandas de duas motos, e as duas emplacadas em Canela, pagavamos de turistinha...=).


Bueno, aí entre empregos e empregos no jornal Bolsão, vi um anuncio que era tipo um pergaminhozinho pregado num quadrinho de bambu e dizia assim:


"Pousada em Bombinhas contrata: Recepcionista, Garçom, Camareira, Auxiliar de Cozinha. Oferece alojamento, refeição, salário + beneficios.Enviar curriculo para moradadoguaruca@taltal..." .Pensei comigo..."Hum, alojamento me gusta, refeição então é lindo, salário?Adooro.E os beneficios??Ahn to dentro... e sem contar que esse tal Guaruca deve ser um castelhano muito louco e vai ser doido isso...mas ai já me preocupei com a questão do alojamento, pensei em camas de concreto, 18 pessoas por quarto, pauzinhos de dias de permanencia riscados na parede, essas coisas...mas tudo bem, depois de ir pra Brava engolir uns litrinhos diarios de agua salgada, fui na lan house e mandei curriculo, uns dias depois uma moça me ligou(eu tava dormindo),e marcou uma entrevista na segunda proxima as 9:00 horas...


GUARDA DO EMBAÚ


Eu tinha conhecido esse lugar fantastico chamado Guarda do Embaú através da Nani, que sempre me disse que era um show de lugar...muito bem, convidei o Fábio e no sábado a tarde fomos pra Guardinha...cada um com sua magrela...passamos 40 quilometros da entrada, porque eu só tinha passado indo e nunca passado vindo...chegamos a noite, fomos pra mesma pousada que eu tinha ficado, uma verdinha, numa estradinha que vai para a Pinheira de Baixo...R$20,00 P/P.Feito isso, saimos pra dar uma volta, a pé?Nada, dois viciados em moto...mas a Guarda não comporta passeios de moto, porque é tudo perto...bueno, estacionamos num barzinho e ali ficamos conversandinho e tomando uma cerveja...conhecemos algumas pessoas com noção e outras sem...entre elas o Mámá(Itamar) este deixou a noção em casa quando saiu...mas gente boa..personagem da Guardinha...Nessa noite deveria ter rolado um show mas a prefeitura de Palhoça proibiu porque tem muito velhinho morando por ali e tal...algo assim.


Bom, fomos pra Palhoça com as motos trocadas para comer um cachorro quente e procurar alguma noite ainda...a noite não encontramos, e o cachorro quente...ahm esse sim, vai ficar pra sempre guardado na minha memória...na metade do bendito eu achei ter sentido uma azia...otimo, nos 20 km que separam a Guarda de Palhoça eu parei 3 vezes pra vomitar...o Fábio subiu num viaduto inacabado e quase fez uma session de paraglider sem paraglider...mas conseguiu parar a tempo...obvio, senao eu nem contaria tal fato...


Ainda na pousada vomitei mais tantas vezes, no outro dia era vergonhoso o cheiro acre que tomou conta do quarto... ainda assim, resolvemos caminhar pela trilha que leva ao Bar do Evory para pegar uma praia, em tempo: chuviscava fino e estava nublado.


Voltamos pra Balneario, abaixo de chuva, eu com ansias o tempo inteiro, de um tanto que só de sentir o cheiro de rodovia com oleo diesel me dava nauseas...nos despedimos na 4° avenida e fui pra quitinete passar mal sozinho, com febre e vomitando...pela primeira vez liguei pra casa e disse que estava muito ruim, e enfim...passei a noite trocando de camiseta e com febre...e no outro dia tinha a tal entrevista com a moça do RH da pousada do castelhano mutcho louco o Guaruca.


Acordei com tempo habil de tomar um café que acabou piorando a situação, nem fumei, peguei a moto e fui, e ao entrar em meia-praia e passar pelo Pereque, os buracos me deram mais nauseas, mas chega de se lamentar né...Chegando em Bombinhas perguntei pela tal pousada...ninguem sabia direito onde esse tal castelhano morava, mas um taxista me disse que deveria ser em Mariscal, uma das ultimas praias de Bombinhas.Lá fui eu.


Encontrei a pousada, uma bela pousada, um apart-hotel na verdade...e uma vez que tinha localizado o pico, resolvi dar uma voltinha por ali, ainda tinha tempo mesmo...eu sei que eram umas 8:35 da manhã e tinha uma princesa caminhando sozinha na areia do Mariscal, perto da Vila dos Açores por ali, pensei: "bom, vou olhar mais de perto..." estacionei a moto e sai caminhando pela restinga pra ver mais de perto...me atolei num barro disfarçado de areia escura...sujei os tenis e a barra da calça...putaquepariu...encontrei um pedaço de jornal e tentei limpar o que deu...huuum, mais ou menos...e nem vi a gata direito porque estava enterrado naquele pantano...


Cheguei na pousada do castelhano maconheiro...e ai sim, vim a saber que não era bem isso, e sim Morada do Guaruçá, com acento agudo e cedilha, e não tinha nenhum castelhano louco chamado Guaruca, tá ate tinha um castelhano meio doido mas chamado Marcelo, grande camara...mas o fato é que o Guaruçá é um sirizinho muito simpatico(e meio neurotico) que habita as areias do Mariscal...hehe...pra tu ver como são as coisas...a gente se engana, mas que bom que foi pra melhor...ato continuo pedi um lavabo: o barro dos tenis estava nas mãos...


Otima entrevista, apesar das colicas que eu estava sentindo...


Voltei pra casa nauseado.Dias depois,contratado...


Bem bom...Segue nos proximos...

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